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Espanha: recuperadas duas cartas de Santa Teresa d’Ávila

Duas folhas manuscritas de Santa Teresa de Jesus foram recuperadas pela polícia espanhola durante a “Operação Camarín” contra o tráfico ilegal de obras de arte.

As cartas, provenientes do antigo Convento das carmelitas descalças do Coração de Jesus e de São José de Medina de Rioseco, são um testemunho da difícil “batalha terrena” que Teresa teve de travar durante seu corajoso trabalho de reforma da vida monástica espanhola, como lê-se na edição do último 14 de julho no jornal espanhol «La Razón». As folhas foram encontradas juntamente com cerca de vinte outros exemplares de arte religiosa.

O difícil momento histórico em que foram escritas as cartas

Trata-se de duas cartas enviadas a Frei Jerónimo Gracián, um de seus colaboradores mais próximos e também um grande amigo. Gracián ajudou Teresa a refundar com base evangélica a Ordem do Carmelo, em meio a complexas e intermináveis ​​disputas e lutas de poder, que muitas vezes viam os carmelitas e os carmelitas descalços em dois lados opostos.

Jerónimo Gracián, um visitador dos carmelitas da antiga observância da Andaluzia, comissário apostólico e, depois, prior provincial das reformas teresianas, colocou toda a força de seu apoio para permitir a fundação de conventos em Segóvia (1571), Beas de Segura (1574), Sevilha (1575) e Caravaca de la Cruz (Múrcia, 1576), enquanto que o profundamente místico João da Cruz, através de sua poderosa pregação, promovia a conversão de novos membros para o movimento.

As mensagens foram escritas em um momento difícil, quando tanto Jerónimo Gracián como São João da Cruz foram perseguidos pelas autoridades eclesiásticas da época.

O destinatário das cartas

Mas não só. Neste momento – estamos em agosto de 1578 – Teresa de Jesus tem sessenta e três anos, enquanto Gracián é um jovem monge, inteligência brilhante e boa aparência. Ambos terão que passar por um verdadeiro calvário devido à inveja e às tagarelices que a sua profunda amizade despertam em sua comunidade religiosa. Acima de tudo, Gracián é duramente atacado pelos confrades carmelitas descalços, que tentam expulsá-lo da Espanha.

Valor inestimável

O valor das duas folhas do manuscrito é inestimável. Entre as obras recuperadas por agentes do Seprona (Servicio de Protección de la Naturaleza) em Valladolid há também uma pintura do século XVII de Maria Madalena, que renuncia a suas jóias, e que tinha sido passada como se fosse um retrato de Isabel da Hungria.

A ”Operação Camarín” começou em março passado – quando os agentes notaram uma venda suspeita de uma pintura em uma casa de leilões Madrid – e teve bom êxito graças à colaboração de muitas instituições na área de Valladolid, do Museu Provincial «Fabio Nelli» à delegação diocesana do patrimônio do arcebispado da cidade.

(L’Osservatore Romano)

Fonte: Vatican News

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